Teoria e história: Uma relação delicada

By Marcia M. D'Alessio.

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Existe uma tensão entre Teoria e História: “[...] a poesia é mais filosófica e de caráter mais elevado que a história, porque a poesia permanece no universal e a história estuda apenas o particular” (Aristóteles).
Esta afirmação de Aristóteles talvez tenha sido a primeira indicação da referida tensão entre as duas formas de conhecimento: a histórica e a teórica. Na citação acima, a filosofia é a referência de um pensamento hierarquicamente superior, sendo que sua legitimação enquanto tal passa pela universalidade de suas verdades. É importante salientar que a poesia nesta reflexão aristotélica é uma forma de conhecimento, embora difira da história no que concerne à matéria do conhecido: na primeira, o fato poderia ter acontecido; na segunda, aconteceu. Porque aconteceu, o fato é singular, e o que poderia ter acontecido cai no âmbito do universal. Neste sentido, a chave para a compreensão da tensão entre história e teoria é a universalidade ou singularidade do conhecimento adquirido:
"[...] é evidente que não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu; mas sim o que poderia ter acontecido, o possível, segundo a verossimilhança ou a necessidade. O historiador e o poeta não se distinguem um do outro, pelo fato de o primeiro escrever em prosa e o segundo em verso [...] Diferem entre si porque um escreveu o que aconteceu e o outro o que poderia ter acontecido" (Aristóteles).
Ao situar a história em nível menos elevado que a poesia, Aristóteles parece ter suscitado em pensadores contemporâneos a ideia da distinção entre conhecimento histórico e conhecimento teórico. O presente estudo versa sobre a natureza do conhecimento histórico e seus impasses metodológicos no uso dos referenciais teóricos necessários às suas indagações fundamentais.

Keywords: Teoria, História, Historiografia, Singularidade e universalidade

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Dr Marcia M. D'Alessio

Professora, Departamento de História / Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de Sao Paulo (UNIFESP), Sao Paulo, SP, Brazil

É graduada em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em 1970, e doutora em Histoire Du Monde Ouvrier Contemporains pela Universidade de Paris I - Pantheon - Sorbonne, em 1980. Foi orientada por Pierre Vilar, tendo defendido tese sobre o período Vargas: "Problématique nationale et populisme dans le Brésil de Getúlio Vargas". Defendeu a Livre-Docência em novembro de 2011 na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Foi coordenadora da pós-graduação e professora assistente doutor na PUC-SP. Assumiu cargos em várias gestões da Associação Nacional de História (ANPUH) / Seccional SP, inclusive a presidência, no período entre 2006 e 2008. Atualmente é professora adjunta do curso de História da UNIFESP - Campus Guarulhos. Tem experiência na área de História, com ênfase em Teoria da História e Historiografia e em História contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: história, historiografia, memória, identidade, cultura, nação, nacionalidade e Estado Nacional.